Behaviorismo (ou Comportamentalismo)

Behavior significa comportamento. Nosso estudo se baseia nas teorias de Herbert Simon.

Herbert Simon diz que não existe racionalidade absoluta, e portanto, não existe eficácia total. Para ilustrar essa idéia o professor propôs um exemplo.

Suponha uma pessoa que acabou de sair da Universidade e tem duas oportunidades:
a) Entrar em um emprego público ganhando R$8000 por mês com estabilidade;
b) Entrar em um trainee, começando com um salário relativamente baixo, mas tendo a possibilidade de viajar para outros países, ter mais experiências e com o tempo fazer um salário melhor.

Qual das duas escolhas é mais racional? Segundo Simon, nenhuma das duas. É impossível demonstrar que uma alternativa é mais racional que outra porque não detemos conhecimento de todas as variáveis ponderadas na escolha. A pessoa que quer o emprego público pode achar que 8000 pra ele está bom e que com esse salário pode fazer viajens como turista. A pessoa que escolher o trainee pode achar que uma vida dinâmica e 'fazendo seu próprio salário' é mais interessante, mesmo sabendo que para ter uma aposentadoria razoável vai ter que fazer um plano de Previdência Privada. Assim, nossas escolhas dependem da hierarquia da nossa escala de preferências: alguns preferem trabalhar mais, outros menos; alguns preferem ganhar mais, outros menos; alguns preferem receber agora, outros mais tarde ao longo da vida.

Com essa idéia Simon critica as idéias de Taylor, que claramente têm por objetivo a eficácia total, que seria o lucro máximo sem estoques e com custo mínimo.

Simon diz que quando tomamos decisões, elas são baseadas em nossas experiências passadas e no nosso conhecimento disponível. Assim, definimos nossa escala de preferências com sua hierarquia, que pode no futuro ser reavaliada com o objetivo de uma eficácia maior.

Além disso, Simon diz que, em função da pressão do tempo e do conjunto de pessoas envolvidas no processo decisório, as decisões podem ser mais ou menos racionais, mas não completamente racionais. Simon nega a idéia de que um grupo maior deve tomar decisões mais inteligentes, ou que o trabalho coletivo é melhor que o individual. Ele vê a Organização como um Conjunto de Decisões.

Segundo Simon, as pessoas aprendem através de abstrações reflexivas: diante de uma decisão ela cria um modelo, que segue as seguintes Fases:
  • Inteligência: A pessoa, ao entrar em contato com as coisas do mundo vai realizando analogias, diferenciações, até que se chegue a uma conclusão;
  • Design, concepção: Comparação, generalização. A pessoa constrói mentalmente um modelo simplificado do mundo real (limitado, imperfeito e sujeito a mudanças). A partir desse modela ela faz sua escolha;
  • Implementação da escolha: A pessoa elenca o conjunto de opções que vão obedecer às suas preferências pessoais. Aí estabelece uma prioridade - solução que parece a mais adequada para o problema.
 As decisões, por sua vez, eram diferenciadas em seguintes critérios:
  • Programadas/Estruturadas: Aquelas decisões cujas variáveis são conhecidas e que se pode quantificá-las. Normalmente são de nível operacional (controle de estoques, folha de pagamentos, orçamento...)
  • Não Programadas/Não Estruturadas: Aquelas em que não se pode quantificar as variáveis ou que não se detem o controle de todas elas (Por exemplo, se deve-se investir em determinado fundo de ações ou não. Nesse caso, não se sabe ao certo se o fundo de ações vai ser rentável e, caso seja, quanto vai render).
Pressupõe-se que todas as decisões organizacionais envolvam um certo grau de incerteza.

Além disso, conforme o pensamento de Simon, as Organizações têm duas características:
  • Complexidade: No momento que uma Organização resolve um problema com determinada decisão, ela usa daquele conhecimento adquirido para resolver outros problema que vierem no decorrer do tempo;
  • Interdependência: A Organização não é isolada no mundo. Ela depende do meio ambiente em que está exposta e das outras Organizações em volta dela.
Por fim, Simon define um Sistema Especialista como um sistema que consegue resolver um problema pouco estruturado simulando de maneira eficiente o raciocínio empregado por um especialista. Como no exemplo do grupo JH Santos [linkar o exemplo!]

Paztejamos

3 comentários:

  1. olá! gostaria de saber quais os pontos negativos do behaviorismo?

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    1. Suzy, eu talvez não saiba dar uma resposta suficiente ou efetiva pra tua dúvida. Esse texto é baseado nas aulas de Introdução à Administração que eu tive e, bom, o que eu aprendi está aí.

      Mas eu lembro de haverem aplicações do comportamentalismo na disciplina que fiz sobre psicologia aplicada à administração, então vou dar uma olhada no material que tenho e mais tarde posto uma resposta mais concreta aqui.

      Apesar disso, dá pra se imaginar assim por cima algum aspecto negativo. Por exemplo: o excesso de propaganda e a forma como se vende um produto inserido num estilo de vida nos condiciona a um comportamento consumista e com o consumo direcionado ao nicho que o produto que eu compro se insere.

      Então, por exemplo, se eu vejo a propaganda do Marlboro, que sempre tem um cara másculo montado a cavalo metido a cowboy, de botas e barba mal feita, eu compro não mais só porque quero fumar um cigarro, mas porque quero ser como aquele cara, sendo assim induzido a um comportamento.

      Sei lá, é apenas uma reflexão. Depois te dou uma resposta mais concreta :)

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    2. Suzy, eu tenho aqui um xerox do 7 capítulo de um livro que se chama Psicologia Aplicada à Administração, que trata de Comportamentalismo. A associação que eu tenho achado nesse e em outros textos que eu já tinha aqui é sempre que o comportamentalismo tem uma face maligna porque o seu objetivo é condicionar o empregado a se sentir motivado dentro da empresa, adotando como seus os objetivos da empresa, tipo "vestindo a camisa", e nisso ele se sente motivado.

      Parece um método de te explorar sem que tu sinta, tipo, tu ganha mal, trabalha pra caramba, e ainda assim se sente satisfeito porque a empresa (e não tu) está se dando bem... mas tu nunca é recompensado pelo bem que tem feito à empresa.

      Eles citam bastante a experiência de Pavlov como referência. Esse Pavlov, toda vez que dava comida a um cachorro, tocava uma campainha. Aí com o tempo o cachorro sabia que vinha comida sempre que ouvia a campainha. Então ele tinha o reflexo de salivar, mesmo sem ver a comida.

      Enfim, está meio vago porque tem bastaaaaante material sobre isso aqui e eu não tenho tanto como resumir (e nem tempo pra ler tudo agora), mas espero ter dado alguma ajuda...

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